Conversa à volta de livros

Ontem, no primeiro Encontro Ateísta e Humanista de Lisboa do ano de 2012, falou-se de livros. Ou falou-se de tanta coisa a propósito de 3 livros distintos.

Um dos primeiros mencionados é The Swerve – How the world became modern de Stephen Greenblatt. Embora não o tenha lido pessoalmente, está desde há alguns meses  na minha wishlist porque foi mencionado no Podcast New York Book Review que oiço regularmente. O livro ganhou o prémio National Book Award 2011 para não ficção.

Segundo a informação na página da Amazon e também a informação partilhada ontem no Encontro, o livro aborda o nascimento do Renascimento e a procura dos antigos textos da Antiguidade e como estes textos foram importantes na construção da Época Moderna (assumida como o período que vai desde o fim do Império Romano do Oriente até à Revolução Francesa). A aventura da descoberta do grande poema de Lucrécio, de rerum natura influenciou personalidades como Botticelli, Giordano Bruno, Galileu, Freud, Darwin e Einstein. A revolução geográfica, mental e religiosa são também abordadas nesta obra, como seria de prever em qualquer livro que se debruce sobre o Renascimento.

A minha escolha foi para o gigantesco livro de Steven Pinker The Better Angels of Our Nature, um livro que aborda o declínio da violência, desde a Antiguidade até aos nossos dias. Naturalmente, este tema gerou alguma controvérsia sobre a realidade desta afirmação. Será que o mundo está mesmo menos violento? O que dizer do século XX? Na realidade, as estatísticas que são mencionadas no livro mostram claramente que mesmo com as duas grandes guerras mundiais, a violência tende a diminuir progressivamente ao longo da história.

Estou a 10% na leitura do livro, logo, não posso falar pela totalidade de toda a obra. Mas estes 10% num livro com cerca de  mil páginas, são ricos em dados e apontam o caminho para a ideia de Pinker: O facto de uma maneira geral a violência estar em declínio não significa que não haja picos de violência, geralmente provocados pela ausência de um Estado forte capaz de gerir a Justiça e naturalmente pela instabilidade política e económica.

O livro tem recebido muitas críticas positivas, mas também muitas negativas. Ao ponto de Steven Pinker ter colocado no seu site oficial algumas respostas às críticas que lhe são feitas. Aconselho a sua leitura a quem se oponha no imediato à ideia do declínio da violência. Naturalmente, recomendo a leitura do livro na totalidade. Desconheço se existe já edição portuguesa, mas o link acima aponta para a (excessivamente cara) versão digital.

Outro livro mencionado foi Thomas Mann The Buddenbrooks que aborda a dissolução de uma família alemã nos finais do século XIX. O romance publicado em 1900 faz alusão às convulsões que a Alemanha atravessa ao longo desse século e anuncia o século seguinte com os resultados que tão bem conhecemos.

E a partir daqui a conversa saltou entre revolução, guerra, o fim da democracia, a crise, participação na vida política, etc. E para os mais optimistas que torceram o nariz aos receios, esta notícia no Público, parece vir de propósito.

Outros livros que receberam menções honrosas: A revolução da riqueza de Alvin e Heidi Toffler; e Wikinomics de Don Tapscott e Anthony D. Williams.

Os Encontros ateístas e humanistas de Lisboa reúnem-se todas as terceiras 4ªs feiras do mês na Loja de História Natural em Lisboa. Para mais informações ou participar, inscreva-se no Meetup.

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